mar 06
Por que as mulheres estão abandonando a tecnologia

Por que as mulheres estão abandonando a tecnologia

Milhares de mulheres estão abandonando a tecnologia todos os anos, mesmo este sendo o mercado que mais gera demanda .

Eliza Khuner é um ex cientista de dados do Facebook que ficou conhecida após escrever um desabafo sobre algumas situações frustrantes que passou enquanto funcionária.

Após dar a luz a sua filha, Eliza entrou em contato com o setor de RH da empresa questionando uma possível licença para trabalhar Home Office nos primeiros meses de vida de sua filha.

Como esperado, o pedido foi negado.

Sendo a única responsável por sua filha, Eliza acabou saindo da empresa e desistindo da carreira.

O caso de Eliza descreve uma mulher que tentou conciliar a maternidade com a carreira, mas a dificuldade das mulheres com o mercado de tecnologia vão muito além da falta de programas familiares nas empresas.

Alguns números

  • 52% das mulheres que trabalham com tecnologia relataram ter sofrido algum tipo de preconceito em seu ambiente de trabalho;
  • Apenas 13% dos executivos sênior de tecnologia são mulheres;
  • Mulheres correspondem apenas a 20% dos profissionais de tecnologia.

 

Falta de incentivo

Segundo o IBGE, as profissionais de TI do sexo feminino tem grau de instrução mais elevado do que os colegas do sexo masculino, mas possuem salários 34% menores do que eles.

Além do salário baixo, a falta de política contra assédio e programas de inclusão nos projetos são grandes responsáveis pelo abandono de carreira.

 

Maternidade x Carreira

Christine Armstrong, autora do livro Mother of All Jobs, que apresenta entrevistas anônimas com líderes femininas do setor de tecnologia, diz que o setor é abertamente masculino, jovem e tem uma cultura aberta de horas extras, o que acaba alienando as mulheres.

“As empresas de tecnologia devem liderar o caminho da produtividade e ajudar a combater a cultura ‘sempre ativa’, estabelecendo limites mais claros em torno do trabalho e da vida, mas esse raramente é o caso”, diz ela. “Em vez disso, empresas como o Facebook nem sequer têm uma política de trabalhar em casa. Que tipo de mensagem isso passa?”

Sanchita Saha, fundadora do Citysocializer e do aplicativo Shello diz que as empresas estão no momento ideal para flexibilizar suas culturas, já que hoje em dia contamos com diversas ferramentas que possibilitam o Home Office, tais como Trello, Slack, Google Docs e mais.

Eliza conta que sente que ela e milhares de mulheres acabam sendo penalizadas por terem filhos.

O grande problema é que dois terços das mães ainda são as principais cuidadoras de seus filhos, o que acaba aumentando a desistência na carreira após dar a luz.

Gabriela Hersham, co-fundadora da Huckletree,  diz que ajudar os pais que trabalham não precisa ter um preço gritante. “Oferecemos a todos os cuidadores primários o direito de trabalhar uma semana de quatro dias com salário integral até o filho completar um ano”, diz ela. “Acreditamos que esses pais trabalharão com um cronograma mais produtivo e abreviado e apreciarão enormemente esse apoio e a flexibilidade que eles oferecem”.

 

Meninas na tecnologia

Um estudo feito com meninas de idade escolar revela que 74% das meninas já pensaram em trabalhar com tecnologia.

Porém alguma coisa tem acontecido entre a fase do interesse e a matricula na faculdade, já que o número de mulheres inscritas em cursos de programação caiu de 30% para 15% em 2018.

Um dos grandes fatores que acaba contribuindo na perca pelo interesse é a falta representatividade.

Desde pequenas assistimos filmes com princesas, modelos e artistas, mas pouco se fala sobre mulheres na tecnologia. E quando somos retratadas, geralmente é de forma pejorativa.

 

Inclusão: uma tarefa de todos

Todos os anos o Google promove o International Woman Day, reunindo mulheres de todas as partes do mundo para trocar experiências e conhecer as novidades do mercado.

Empresas como Itau também estão seguindo essa tendência, como Itau para mulheres.

São atitudes simples mas que podem gerar grandes impactos para a construção de um futuro mais justo, trazendo visibilidade para essas profissionais e fortalecendo a cultura da inclusão.

Formar equipes de trabalho diversas pode contribuir muito para uma empresa, pois gera novas formas de se enxergar e lidar com os desafios.

Essa tarefa é de todos.

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Fonte: The Economist

Sobre o Autor

Helen Paiva é desenvolvedora Front End orgulhosa, especialista em comportamento do consumidor e apaixonada por UX/UI Design.

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